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Luiz Carlos Prates
A nudez da verdade
» 14/05/2010 - 15:23h

Leitora, vamos viajar? Claro, o leitor também está convidado. Mas apenas espere um pouquinho, vou fazer uma pergunta à leitora. É a seguinte. Supomos que alguém, um namorado, o marido, um amigo, lhe chegasse no dia do seu aniversário com um presente embrulhado num pedaço de jornal, o que você pensaria?

Aposto que pensaria que o amigo, o namorado, o marido, quem fosse, a teria subestimado, imagine um presente de aniversário embrulhado em jornal…

Mas ao abrir o pacotinho você nele encontraria um deslumbrante anel de diamantes… E aí, o que pensaria? Aposto, outra vez, que você diria da sua surpresa, do seu encanto, da sua jubilosa surpresa, enfim. E o que teria acontecido? Apenas que você teria, no primeiro momento, julgado o presente pela embalagem. Fazemos o mesmo com pessoas, o mesmo. As vemos na rua fantasiadas, escondidas debaixo de grifes caras, e as imaginamos ricas ou muito melhor do que são. Na verdade, essas pessoas costumam valer muito pouco, elas usam das fantasias dos trapos caros para esconder suas pobrezas e desesperos interiores.

Vim até aqui porque acabei de ler um texto de propaganda de roupas que tinha por titulo o seguinte: “Invista na sua aparência. O retorno é garantido”. Discordo, discordo no todo, não na parte. Quem se cuida, quem se esmera para passar uma boa imagem e por ela enviar sinais de respeito e posição, tudo bem, nada contra. O que não pode é a pessoa ser vazia por dentro e andar debaixo de trapos, de “retalhos” caros, que é o que mais se vê na noite, nos shoppings, nos carrões, por aí tudo, o que mais se vê. Quando essas pessoas tiram a roupa – e falo no sentido figurado – mostram-se quem são: nuas. Sem nada por dentro.

Por mais que nos escondamos debaixo de roupas caras, a personalidade sempre vai aflorar, aparecer. E aparece em momentos de absoluto desaviso, de modos inadvertidos, numa palavra, num gesto, num gosto, numa vulgaridade. Ninguém escapa.

Aliás, não foi por outra razão que já disseram que diante de quem tenha olhos de ver e ouvidos de ouvir, não há segredos. Revelamo-nos por todos os poros. Cuidar da aparência é indispensável para que nos façamos respeitar e respeitar os outros, mas que não busquemos nas roupas, nos carros, nas joias, mostrar o que não somos. O que somos aparece quando estamos nus…

Fonte: Clic RBS

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