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Moacir Pereira
Moacir Pereira - 22/02/10 - Política
» 22/02/2010 - 15:17h

As definições

O presidente do PMDB, Michel Temer, marcou presença destacada no encerramento do 4º Congresso Nacional do PT, que oficializou a candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidência da República. O evento partidário adicionou mais oxigênio na aliança do PT com o PMDB, tendo como preferencial para vice justamente o nome de Michel Temer.

Enquanto em Brasilia, o PT realizava um festivo evento, também comemorativo de seu trigésimo aniversário de fundação e sonhando com o terceiro governo, coligado com o PMDB, em Santa Catarina os dois partidos caminham para projetos opostos e conflitantes. O PMDB, no governo, buscando a reedição da tríplice aliança para dar continuidade à descentralização político-administrativa, marca principal das duas gestões de Luiz Henrique. E o PT buscando a confirmação de seu projeto com Ideli Salvati para se transformar na principal força oposicionista e carimbar o passaporte para o segundo turno.

O jogo da tríplice aliança embaralhou por completo. Os líderes da coalizão elaboraram etapas a vencer, posições dos principais nomes e as condições de viabilizar a sonhada vitória. O vice-governador Leonel Pavan assumiria o governo, completaria o mandato de Luiz Henrique e, eleito José Serra presidente da República, passaria a ocupar posição destacada no governo federal.

A chapa estava mapeada. Raimundo Colombo, do DEM, para governador, com Eduardo Moreira, do PMDB, de vice, mais Luiz Henrique para o Senado e um tucano disputando a segunda vaga.


Surpresas

A Operação Transparência implodiu o projeto no primeiro impacto. O vice, segundo os aliados, perdeu as condições políticas para suceder Luiz Henrique. Se Pavan assumir o governo, a coligação tripla vai para o espaço. O DEM desembarca e cada partido busca seu rumo.

A candidatura de Dário Berger complicou mais tudo o que estava acertado na coalizão. Seu nome vai ser apresentado hoje, formalmente, na reunião da Executiva Estadual do PMDB, pelo secretário municipal Adriano Zanotto e pelo presidente da Câmara, Gean Loureiro. Eles levam uma carta de Berger oficializando o desejo de disputar o governo, pregando união do partido e historiando sua vida pública, marcada de sucessivas vitórias. O prefeito viajou no fim de semana para Seul, de onde só retorna dentro de oito dias.

Ninguém tem mais dúvidas de que a candidatura Dário Berger foi insuflada pelo governador Luiz Henrique. Pode até não ser real este aval, mas a imagem que prevalece hoje dentro e fora do PMDB é exatamente esta. E os aliados do PSDB e do DEM tem dificuldades para entender a estratégia. Afinal, se Eduardo Moreira e Dário Berger forem para alguma disputa, será para candidatura própria ao governo. Nunca para ser vice de Colombo.

Neste período de crise da aliança que já se aproxima dos três meses, o PT e o PP navegaram em águas tranquilas e sequer se pronunciaram nos parlamentos sobre as denúncias do Ministério Público Estadual contra o vice Leonel Pavan. Guardam munição para a campanha.

No 4º Congresso Nacional do PT, a senadora Ideli Salvati foi anunciada como “futura governadora de Santa Catarina”. Os aplausos do congresso petista definiram o respaldo do comando nacional e de Lula à candidatura ao governo. Ali, o presidente Michel Temer anunciou uma visita em breve a Santa Catarina com o objetivo de aglutinar os líderes do PMDB em torno da candidatura de Dilma Rousseff.

Fonte: ClicRBS/Diário Catarinense

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