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Obra do Anel Viário já precisa de R$ 100 milhões e não tem nada garantido
A reunião de ontem em Rio Maina, na Intendência, sobre o Anel de Contorno Viário de Criciúma foi, antes de tudo, esclarecedora e preocupante. Foi dito, por exemplo, que não tem um centavo sequer garantido, seja da prefeitura, do Governo do Estado ou do Governo Federal, para a segunda etapa (da região da Unesc até o São Simão); a emenda coletiva incluída no Orçamento da União com recursos para a obra é como comprar “terreno na lua”, nunca sai; a inclusão da obra no PAC só é possível com ação política direto no “andar de cima” do Planalto; no trecho entre a região da Unesc e Rio Maina (metade da etapa que falta), tem que remover em torno de 400 casas, além das outras desapropriações; no trecho de Rio Maina até São Simão, tem que fazer um elevado não previsto no projeto original que custa pelo menos R$ 10 milhões. Tem mais as licenças ambientais. Enfim, a conta para fazer a segunda etapa do Anel, projetada em R$ 65 milhões, já passa de R$ 100 milhões. Até agora, na primeira etapa, entre São Simão e a região da Unesc, o investimento foi em torno de R$ 35 milhões, em 13 anos. Diante destes números, e pelo quadro “pintado” ontem, a segunda etapa do Anel está seriamente ameaçada. Inclusive pelo que se viu lá. Enquanto uns mostravam um caminho para viabilizar a obra, os outros sustentavam outro encami- nhamento. Mas, se com todos juntos já não vai ser fácil levantar tanto dinheiro, que é três vezes tudo o que já foi investido, imagina se continuarem divididos!
Mudar o rumo
Na reunião de Rio Maina, deputado Jorge Boeira defendeu trabalho coletivo para garantir inclusão da obra no PAC, disse que já fez contatos em Brasília e pode ter audiências marcadas para agosto e arrematou: “Esperar pelo dinheiro da emenda coletiva é perda de tempo; dinheiro de lá, não sai”.
Não cabe
Prefeito Clésio Salvaro mostrou a “cartilha” do PAC distribuída pelo Governo Federal, disse que não cabe obra de pavimentação no programa e que só seria possível um empréstimo do Governo Federal, o que não interessa porque a prefeitura de Criciúma não tem capacidade de endividamento.
Chapecó
Logo que saiu da reunião, Boeira acionou por telefone o deputado Claudio Vignati, que é de Chapecó, para saber como a cidade conseguiu os R$ 60 milhões do Governo Federal para obra do novo acesso. Disse ter sido informado que o dinheiro foi liberado pelo Governo Federal, via PAC.
Emenda coletiva
A tradição em Brasília em relação às emendas coletivas é a seguinte: primeiro, o Governo Federal usa o dinheiro que tem para fazer obras que ele incluiu no orçamento; depois, atende as emendas dos parlamentares; por fim, se sobrar, atende as emendas coletivas. O problema é que nunca chega à terceira etapa. Muitas vezes, acaba na primeira.
Semelhança
Obra do Anel com dinheiro da emenda coletiva é tão viável quanto a construção da Via Rápida pela PPP (Parceria Público-Privada).
Aproveitando a ocasião
Prefeito Salvaro disse na reunião que a obra do acesso da BR-101 a Imbituba (porto) foi incluída no PAC porque é uma ligação de rodovia federal com a área urbana da cidade. Disse para mostrar que não é o caso do Anel de Contorno de Criciúma. Mas, se for assim, por que não incluir no PAC a obra da Via Rápida?
Uma vida
Empresário Estevão Pierini disse na reunião: “Ouço falar do Anel Viário faz 31 anos, tenho 54 anos de idade, e pelo jeito vou morrer e não vou ver a obra pronta”.
Demora
Técnico que trabalha com projetos na área pública, que conhece o caso do Anel Viário de Criciúma, disse ontem que a licença ambiental só para o trecho entre Rio Maina e São Simão, teoricamente mais fácil de fazer, deve demorar dez meses.
Mordeu a língua
No fim de 2009, quando o deputado Valmir Comin alertou que o Governo do Estado não tinha incluído um real no Orçamento para 2010 e tentou aprovar emenda com uma parcela do recurso necessário, pelo menos para garantir o reinício da obra, foi atacado pela bancada governista na Assembleia. Deputado Altair Guidi, na época secretário de Planejamento, disse na Rádio Som Maior: “Não precisa, orçamento é peça de ficção, depois vai deslocar dinheiro de outra dotação para a obra”. Até agora, nada!
Estacionamentos
Deputado Valmir Comin, PP, fez aprovar na sessão de ontem na Assembleia solicitação ao Ministério Público e Procon para que fiscalizem a aplicação da lei, de sua autoria, que fixa tempo para “estacionamento liberado” em supermercados, shoppings e bancos.
Índio apita!
O candidato a vice de José Serra, deputado carioca Índio da Costa, DEM, mostrou ontem, na entrevista exclusiva, ao vivo, na Rádio Som Maior, porque foi o escolhido para compor chapa presidencial. Além de jovem, muito envolvido nas redes sociais, com mais de 60 mil seguidores no twitter e relator do projeto da “ficha limpa”, tem discurso articulado, contundente, sem papas na língua.
Ligado
Índio tomou a iniciativa de falar da duplicação da BR-101 no Sul dizendo que é um absurdo tanta demora na conclusão, afirmou que o Dnit virou um “caixa dois” de campanhas políticas, defendeu as privatizações que já foram feitas e foi duro no ataque ao PT. Repetiu denúncia de ligação do partido com as Farc e completou: “se o PT é ligado às Farc e as Farc são ligadas e sustentadas pelo narcotráfico, o que você pode deduzir?”.
Recompondo
No PMDB, as reações à tríplice aliança, pelo menos no “alto escalão”, estão resolvidas. Direção estadual do PMDB, presidida por João Mattos, anunciou ontem engajamento na campanha. Paulo Afonso já havia anunciado. Deputados Valdir Colato e Celso Maldaner subiram ontem ao palanque.
Na base
PMDB da Amrec reuniu ontem em Criciúma, à noite, seus prefeitos, vereadores e dirigentes de executivas municipais para tratar da campanha. Hélio Bunn, prefeito de Lauro Müller, que tem problemas no seu município com o DEM, anunciou que “está integrado”. Comício do comitê da tríplice aliança foi confirmado ontem para sexta-feira da próxima semana.
No Vale
Geovana Benedet, candidata do PSDB a deputada federal, recebeu o apoio formal do diretório de Timbé do Sul, terça-feira à noite. Tati Teixeira, candidata a deputada estadual, estava com ela na reunião.