Teste Prosul
Teste Edson Varela

GUIA DE EVENTOS

Programação de eventos

Luiz Carlos Prates
Prates - 20/05
» 20/05/2010 - 14:21h

Que pai triste

Numa certa feira do livro, um guri, acompanhado do pai, parou diante de uma barraca e encantou-se com um livro. A capa do livro tinha a figura de um guerreiro. Da admiração, o guri fez o pedido: “Pai, compra este livro para mim”! Sabes o que o pai respondeu? “Ah, não sejas bobo, Luiz, com esse dinheiro do livro tu podes fazer um baita lanche ali no supermercado…”
Quer dizer, o menino teve a inspiração do livro, o pai tosco a de encher a barriga. Até admito que o pai não o tenha feito por ser mau, fê-lo por ser bronco. E isso acontece todos os dias na vida de muitos filhos, as crianças são educadas pelos “silenciosos” valores dos pais toscos e irresponsáveis.
Pobres crianças, quando inspiradas para o ser são levadas ao comer, ao encher a barriga, único prazer que o pai rude conhece bem. O que era para ser uma bem-aventurança para o pai, a fome de ler do filho, não lhe passou pela cabeça senão um recheado sanduíche…


Corda no pescoço

Muitos leem frases de parachoque de caminhões e dão de ombros — coisa de pobre, que horror… Pegam um livro de autoajuda e se perguntam como é que alguém conseguiu escrever aquelas bobagens todas, e, pior do que tudo, como conseguiu ter leitores. E assim por diante, desdém após desdém. Mas tudo quando as coisas lhes vão bem.

Já contei aqui de um médico de Porto Alegre, ateu e “condenado” por diagnóstico fatal dos seus próprios companheiros de farda, quero dizer, de jaleco. O homem estava em seus últimos dias, nada mais lhe havia de esperança a partir da ciência e dos remédios conhecidos.

Alguém na família lembrou de um curandeiro, desses que dão passes, receitam “remédios” estranhos, trabalham, enfim, com os desenganados da vida. O tal médico disse que não, ora, imagine, um curandeiro. A família insistiu, afinal, não custava nada. Insistiram tanto que o médico doente aceitou ir até o curandeiro. O resto da história pouca importa.

Alguém pode dizer que o médico aceitou por aceitar ir ao curandeiro. Duvido, ninguém vai a nenhum lugar sem ter fé, sem acreditar, no fundo ele acreditava. Por aparência, dizia não acreditar. Apertou-se-lhe, todavia, a corda no pescoço, cedeu.

Mesma coisa fazem os “intelectuais” do desdém às frases de parachoques e autoajudas. Uma delas? Deus ajuda a quem cedo madruga! Os que regam a terra com o suor do rosto sabem que é verdade, quem “madruga”, isto é, trabalha, crê no trabalho e tem objetivos, vence.

Quem gasta mais do que ganha morre pobre! Queres truísmo mais velho do que este, leitora? Desminta-o se for capaz. E assim o leitor.

Que teu alimento seja teu medicamento. Quem disse isto foi Hipócrates, pai da Medicina. Contradiga-o, quero ver. Quem não sabe que morremos pela boca, comendo como bichos, sem escrúpulos?

O fruto não cai longe do pé. Já ouviu esta? Duvida? Olhe para os filhos dos teus amigos, mas olhe bem. Deixará de duvidar…

O sujeito foi tapeado pelo amigo, traído. Depois disso, suspira: De fato, quem vê cara não vê coração. Caráter, ele quis dizer. Mas fez a frase. E por que a fez? Porque foi tapeado, nessa hora a frase não se lhe afigura como coisa de pobre, chula.

Quando tudo nos vai bem, somos fortes, somos granito. Mas quando chove forte sobre o nosso lombo, ah, lembramos da santa, rezamos, buscamos frases de autoajuda.

Sabes qual é a minha frase “careta”, leitor? Esta: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê.

Fonte: Clic RBS

Envie seu comentário