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Padres e serpentes
Gostei do bispo, se ninguém disser nada vai ficar como se só os padres fossem os culpados. Falo de “pecados” sexuais. Um importante bispo da Igreja Católica mexicana declarou, dia destes, que os fiéis têm
parte da responsabilidade nos atos sexuais praticados por padres. Pediu, então, que evitem ser uma tentação
para os sacerdotes. Bah, na mosca! O bispo tem razão.
O que há de mulher, “idosas” muitas delas, que vão à igreja jogar charme nos padres é algo acima do imaginável. Aliás, sempre foi assim. Os caras têm que se controlar, mas são humanos, lá pelas tantas caem em tentação. E quando caem a culpa parece ser só deles. Não estou falando de pedofilia, estou falando de “casos” com mulheres que sabem muito bem onde estão atirando…
Os padres erram? Claro que erram, não devem cair em tentação, não é o que pregam? Mas às vezes é muito difícil resistir a certas “serpentes”, Adão, no paraíso, que o diga.
Ponta de faca
Enquanto se deliciava com um sorvete, a colega me diz que não devo levar tudo a ponta de faca. Não levo, disse a ela.
A conversa teve início quando a fiz ver que dependendo do degrau em que nos encontramos na escada social, o que dissermos será uma bomba ou uma bobagem. Tudo depende de quem fala, onde fala e por que fala.
A conversa veio, provoquei-a, de uma declaração do Serra (só não me pergunte que Serra, leitora), que falando sobre o seu time, o Palmeiras, disse que a situação do clube estava tão ruim que só podia ser uma questão astrológica. Questão astrológica vem de astrologia, horóscopos, destinos, maldições, sei lá.
Não pode, aí é que está, não pode. Um sujeito que se encontra num degrau alto na escada social tem que vigiar muito bem os lábios. Aliás, não foi por outra razão que Salomão, o rei, filho de Davi, disse que quem vigia os lábios preserva o coração de angústias. Disse bem o rei.
Um homem público tem que medir em átomos o que diz, pode ser mal interpretado, será mal interpretado, e se não o for, farão isso por ele e contra ele… Bom, não vamos longe: na campanha presidencial de 1989, perguntaram ao Maluf, candidato, então, o que se devia fazer com um sujeito que estuprou e matou, que tipo de punição dar a ele?
Maluf piscou, não esperava a pergunta, e soletrou:
— Bom, se está com vontade de estuprar, estupra, mas não mata.
No outro dia, os jornais abriam manchetes: Maluf manda estuprar. Não, Maluf não disse isso. Eu o entendi, mas e daí? Eu o entendi, ele quis dar prioridade à vida e não ao estupro. Quer dizer, estuprar e não matar, se for o caso e não houver saída.
Mas vá dizer isso, desse modo, sem jeito, numa campanha presidencial, vá. O Serra deixou passar, brincando, que acredita em horóscopo ou em mau destino astrológico? Claro que não. Fez uma frase que fazemos entre amigos. Mas aí é que está, entre amigos pode, diante dos repórteres, não.
O que você disser como pai, como mãe, como professor, como autoridade de qualquer tipo terá peso especial sobre muitas, incontáveis cabeças, ocas ou não. É preciso pensar, medir, projetar consequências antes de falar, dependendo, é claro, do degrau em que você se encontra nas hierarquias da vida social.
Ah, ainda do rei Salomão: “Cuidado para que tua língua não te corte a cabeça!”.
Genial.
Fonte: Clic RBS