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A Grande Parada, do Víscera Teatro, participa da Temporada Blumenauense de Teatro, entre os dias 16 e 20, na Fundação Cultural de Blumenau. As apresentações começam sempre às 20 horas e o ingresso custa 10 reais ou 5 reais (meia entrada e filipetas). A promoção é da Temporada Blumenauense de Teatro e Associação Blumenauense de Teatro, e tem o apoio da Fundação Cultural de Blumenau. Recomendável para maiores de 14 anos.
O Víscera Teatro mergulha no cotidiano do povo alemão durante o regime nazista e encarna o terror e a miséria que margeavam o ufanismo de um tempo inglório para os seres humanos. Através do corpo dos atores e suas histórias, foi proposta uma visão ao alerta de Brecht acerca da luta contra toda forma de dominação e suas máquinas de propaganda e submissão.
O texto, adaptação de obras de Bertolt Brecht, tem a direção de Pepe Sedrez, atuação de Cleiton da Rocha, Jean Massaneiro, Lu de Bem, Maicon Keller e Sabrina Marthendal; a produção de Adélia Eccel e Márcio Cubiak.
É interessante perceber, nessa enorme lista de nomes, a participação de atores de outros grupos teatrais de Blumenau e região, convidados pelo Víscera Teatro a se juntarem nessa empreitada. É uma opção do grupo pela troca e intercâmbio entre atores e atrizes, visando o constante aperfeiçoamento.
Com o apoio da Companhia Carona de Teatro, que empresta a atuação da atriz Sabrina Marthendal, a construção gráfica e pesquisa em vídeo de Leo Kufner e a direção de Pepe Sedrez – e ainda com o ator convidado Jean Massanero, do grupo Detalhe, de Indaial -, comunica o contemporâneo épico, sintetizando novas formas de criação.
O épico, o político e o irônico desta obra são tomados pelos atores e atualizados a partir da vida que pulsa de cada corpo-em-arte. A direção interage o teatro épico com a estética e atuação contemporânea, criando um cenário onde a materialidade da vida é evidenciada pelas suas próprias máscaras. A fatal necessidade de sobrevivência, o medo, a censura, a farsa e a manipulação permeiam esse itinerário entre a resignação e a resistência.
Com esta apresentação, o grupo aceita o desafio de mergulhar no passado e compreender seu chamado para a atualidade. Estudando a criação cênica e as possibilidades artísticas, busca-se, também, a conexão com a vida coletiva e com a história construída pelos humanos.
Fragmentos cotidianos de uma realidade de tensão violenta. Corpos que expandem seu medo e sua audácia em um ambiente onde o controle visa apoderar-se da vida. A Grande Parada – criação a partir da obra de Bertolt Brecht – vem a público unindo o teatro épico às formas de expressão contemporânea na arte. Imerge na vida que pulsa no medo e na resistência. Em cena – opressores e oprimidos, ingênuos e traidores, soldados e operários – encontram-se em meio ao terror materializado pela ideia de um povo calado, um reino sem liberdade e um rei sem razão. A representação de cenas vividas pelo povo entre 1933 e 1938 na Alemanha, a cenografia contemporânea e os recursos de mídia permitem um olhar no processo histórico sob a estética da arte e sua ideologia de transformação. Recomendável para maiores de 14 anos.
Publicado por: Cristiano Rintin
Fonte: Folha Blumenauense