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As irmãs Ana Mara (16) e Mirian Correa Ribeiro (17) estão treinando forte desde julho, quando conquistaram vaga para as Paraolimpíadas Escolares.
O evento acontece em São Paulo, entre os dias 6 e 11 do mês que vem. Ana (de azul na foto), que é cega total, e Mirian, que tem 10% de visão, vão disputar as provas de atletismo nos 100, 200 e 400 metros.
Na capital paulista elas darão o segundo passo de uma história esportiva que começou neste ano. “Estou ansiosa e quero aproveitar o máximo a oportunidade e espero que nosso esforço valha a pena”, diz Mirian.
“Também estou ansiosa, mas creio que faremos boas provas”, reforça Ana Mara ao destacar que cumprem uma rotina de treinamento de pelo menos três horas por dia (segunda à sábado) na pista do Estádio Municipal Vidal Ramos e na academia. Tudo sob a supervisão dos professores Edna de Mendes e Luis Augusto Almeida dos Anjos.
Antes de serem reveladas pelo Projeto Educação Física para Deficientes Visuais, desenvolvido pela Associação dos Deficientes Visuais do Planalto Serrano (Adevips), as irmãs só se ocupavam com os estudos.
“Não tínhamos a oportunidade de praticar esportes, pois nossa condição exige um profissional qualificado”, argumenta Mirian.
“Além disso, são poucas as chances que os paredesportistas têm, de fazer atividade física supervisonada ou até de participar de competições”, explica Ana Mara, lembrando que foram convidadss pelos professores para participar em julho dos Jogos Escolares Desportivos de Santa Catarina (Parajesc) e foi lá que ambas garantiram vaga para a fase nacional.
A professora Edna conta que é fácil trabalhar com as meninas. “O nosso maior desafio é o local para treinos, chegamos a treinar no colégio Vidal Ramos, mas conseguimos com a Fundação de Esportes a liberação para treinar na pista do Estádio”, observa.
Ela conta ainda que as atletas estão cientes que vão encontrar dificuldades, até porque no nacional o nível dos atletas é bem mais alto. “O que elas estão treinando é o que irão vivenciar lá”, justifica a professora.
A pista será mais uma dificuldade, uma vez que na fase nacional, é oficial (sintética) muito diferente da que elas estão acostumadas, que é de brita.
Sem contar que ambas ainda não tem o “calçado ideal” que no caso tem que ser sapatilhas que custam R$ 200,00 o par.
“Eles (deficientes) nos ensinam mais do que nós a eles. Com menos, eles fazem mais que nós. Temos que exigir bastante delas porque é esporte de rendimento e tem que intensificar os treinos”, resume. A delegação de Santa Catarina será composta por 90 atletas.
As provas
No atletismo para cegos totais uma corda une dois pulsos: o do atleta e do treinador, seu guia e fiel companheiro.
É na percepção dessa corda que o ritmo é ditado quando o som dos pés marca o ritmo das passadas e o caminho dessa forma está “iluminado”.
É esse o cenário que Ana está se acostumando. Já a Mirian não precisa usar a corda e o guia passa as orientações ao seu lado, mas ele não pode chegar jamais a frente do atleta e deve obedecer a distância entre cinco a 50 centímetros da chegada.
Como é feita a classificação
Os atletas com deficiência visual são classificados por categoria pelo sitema funcional. A b1 (cega total), b2 (baixa visão) e b3 (campo visual é maior e consegue definir objetos e pessoas). Por isso as irmãs não vão competir juntas.
O sistema tem como meta garantir que a conquista de uma medalha por um atleta seja fruto de seu treinamento, experiência, motivação, e não devido a vantagens obtidas pelo tipo ou nível de sua deficiência.
Publicado por: Suellen Canani
Fonte: Correio Lageano