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Com sinais de embriaguez, o técnico de manutenção de máquina Valdecir José Follmann, de 31 anos, dirigiu pela contramão da Rodovia Raposo Tavares por cerca de 20 quilômetros antes de colidir com um Gol na altura do km 22, às 4h desta segunda-feira (08). João Luiz Montanheiro, que dirigia o Gol, e sua mulher, Euclydinéia Pinto Assumpção Montanheiro, morreram no local. O casal voltava para Cotia, na Grande São Paulo, após ter passado o dia no Hospital São Paulo com a filha, Suellem, de 12 anos. Após a batida, o carro deles pegou fogo. Suellem foi socorrida pela Polícia Militar Rodoviária com ferimentos leves e passa bem.
Segundo testemunhas, Follmann dirigia um Meriva e invadiu a pista sentido interior na altura do km 45, no pedágio de Vargem Grande. A Polícia Rodoviária foi informada de que alguém trafegava pela contramão e o policial Márcio Hideki cruzou com o carro na altura do km 36. No km 28, Follmann quase se chocou com um Clio. O motorista desviou, mas perdeu o controle do carro e bateu no guardrail. O casal que estava no carro, Daniel Franquilin e Simone Neves, grávida, não se machucou.
Follmann continuou trafegando em linha reta até o km 22. Testemunhas disseram que o Gol da família Montanheiro estava atrás de um caminhão, que conseguiu desviar do Meriva. No momento do impacto, o carro começou a pegar fogo. O guincheiro Simeão Ribeiro Vieira, de 37 anos, também trafegava no sentido interior e chegou a desviar do carro de Follmann. “Ele estava muito rápido.”
O policial rodoviário Márcio Hideki foi o primeiro a chegar ao local do acidente. “Tirei a menina do carro pelo para-brisas traseiro. Não tinha como resgatar o casal”, disse o policial. Segundo ele, a menina estava consciente, mas em estado de choque “Ela pedia para que eu salvasse os pais, mas a frente do carro já estava pegando fogo.” Follmann já estava fora do veículo quando a polícia chegou. Afirmou que estava na mão certa da rodovia. “Ele conversava, mas estava atordoado. Exalando odor de álcool”, afirmou Hideki.
O rapaz será indiciado por homicídio doloso, que tem a intenção de matar, e deverá responder ao processo em liberdade, afirmou o delegado Alexandre Palermo, do 2º Distrito Policial de Cotia. “É muito difícil ele continuar preso.” O delegado disse que a acusação de homicídio doloso é feita em razão da quantidade de quilômetros rodados por Follmann. “Acontecem casos em que alguém erra a entrada e pega a rodovia na contramão, mas essas pessoas param. Ele não. Continuou a andar, em alta velocidade, por mais de 20 km. Ele expôs ao risco a vida de pessoas e, portanto, teve a intenção de matar.”
A polícia pediu exame químico e toxicológico para Follmann. Ele foi preso na cadeia de Cotia nesta noite (08) e aguardará por uma vaga em um dos Centros de Detenção Provisória que atendem o município, em Osasco ou em Itapecerica da Serra.
Morador do Butantã, Follmann é natural de Joinville, Santa Catarina, e se mudou para São Paulo há poucos meses. De acordo com a polícia, ele não possui parentes na cidade. O rapaz foi levado ao Hospital Regional de Osasco, na Grande São Paulo e, segundo a polícia, teve apenas uma fratura na mão e lesões leves no corpo em razão do cinto de segurança e do impacto do airbag em seu veículo. Para Palermo, Follmann tem problemas mentais. “Ele disse que não toma remédios. Mas eu acho que ele tem algum problema.”
Segundo Clodoaldo Romano, primo de Euclydinéia, o casal e a filha moravam em Cotia e tinham vindo a São Paulo porque a menina não havia passado bem. Os dois eram casados havia 15 anos. “Eles se davam muito bem e tinham acabado de comprar uma chácara em Cotia. O aniversário da minha prima seria agora no final de março e estavam preparando uma grande festa para ela”, afirmou Clodoaldo. Euclydinéia era motorista de uma van escolar e João Luiz era diretor de uma escola em Cotia. Segundo Clodoaldo, a menina está traumatizada. (Lais Cattassini - AE)
Publicado por: Paulo Varella
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul de Sorocaba/SP