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Comida vai para o lixo em Criciúma
» 05/03/2010 - 16:07h
Comida vai para o lixo em Criciúma

Enquanto uns passam fome, outros desperdiçam comida. Essa é a realidade na Escola Estadual Antônio Milanez Netto, no bairro São Defende, em Criciúma, nas últimas semanas. A sobra de comida começou a acontecer depois da troca das merendeiras da escola, seguindo determinação do Governo do Estado, que terceirizou os serviços. No entanto, a mudança da gestão, que deveria trazer benefícios, está acarretando dor de cabeça e muita revolta de professores, pais e alunos. O problema não é isolado. Há reclamações semelhantes em diversas escolas do município.

Isso porque estão sendo jogadas fora dezenas de quilos de alimentos todos os dias. De acordo com a diretora Patrícia Schneider, a comida não é reaproveitada e vai para o lixo. “A empresa e as merendeiras alegam que no contrato com o Governo está escrito que, por exemplo, a comida do período matutino não pode ser utilizada no período vespertino, ou seja, vai tudo para a lixeira”, afirma.

A escola funciona em três períodos e tem atualmente 1.005 alunos matriculados desde o ensino fundamental até o médio. Para a professora de educação física Eliane Michels, o que está acontecendo é diferente daquilo que é ensinado dentro da sala de aula. “Nós educamos para a economia, não para o desperdício. Mas daí os alunos saem na rua e assistem a essa situação lamentável”, comenta.

O ponto alto da indignação aconteceu na quarta-feira passada. Depois do lanche, os professores, alunos e pais viram as merendeiras jogarem a comida fora de carrinho de mão. “A gente vê as crianças pedirem comida para os irmãozinhos que estão em casa passando fome, e vê esse desperdício. Isso choca. Dá vontade de chorar e não voltar mais para cá”, explica.

Para se ter ideia do desperdício, num dos primeiros dias de atuação da empresa terceirizada, foram cozinhados 12 quilos de feijão, quando seriam necessários apenas 2,5 quilos. Outra revolta por parte dos professores é que com a mudança das merendeiras, eles não puderam mais utilizar a cozinha para fazer o lanche. “Nós trabalhamos aqui a vida inteira e agora estamos sendo enxotados. A maioria mora longe, aqui não tem restaurante, e está comendo um sanduíche e vendo aquele desperdício sem poder chegar perto”, argumenta a professora Silvia D’ Steffani.

Caso a situação persista, os professores já decidiram, irão procurar o Sindicato “Nós já tentamos conversar com a empresa e com as merendeiras, mas eles afirmam que só seguem o contrato. A gente entende que a mudança é boa, mas é preciso adaptação e aprendizado das partes. No entanto, essa situação não pode continuar. O que está havendo é um crime, um pecado, com tanta gente passando fome “, diz a diretora.

Gerência desconhece

desperdício

O gerente regional de Educação, Luiz Rodolfo Michels, o Finho, afirmou em contato com a reportagem do Jornal A Tribuna que não será efetuado nenhum pagamento a mais do que foi consumido. “Ficou definido que a escola designaria alguém para fazer o controle da merenda. Se foram consumidos “x” quilos, serão pagos apenas “x” quilos. O desperdício é por conta da empresa”, arremata. Segundo ele, “as merendeiras são novas e precisam se adaptar”, finaliza.

 

Publicado por: Paulo Varella

Fonte: A Tribuna

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