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O consumidor catarinense foi com sede às compras nos últimos meses. Mas agora chegou a hora em que ele deve apertar o cinto. O alerta vale, principalmente, para a classe C.
A fatia de dívidas em atraso, entre as famílias com renda mensal de até 10 salários mínimos, aumentou 36% de abril para maio.
Os dados foram levantados pela Fecomércio de SC. Em abril, 25% dos consumidores desta faixa estavam com dívidas ou contas em atraso. Em maio, este índice aumentou para 34%.
Na média geral, o percentual de inadimplentes cresceu de 22,5%, no mês passado, para 29,7% em maio. A pesquisa considerou inadimplentes as famílias que estão com qualquer tipo de conta, como uma fatura ou uma parcela do cartão de crédito, atrasada em pelo menos um dia.
O número de famílias endividadas, ou seja, que têm prestações a pagar, subiu de 86,2%, em abril, para 90,3% neste mês. Em maio de 2010, o percentual era de 74,3%.
Chama a atenção o dado de que os consumidores com renda familiar de até 10 salários mínimos por mês puxaram para cima os índices de inadimplência e endividamento. Entre as famílias que recebem mais do que este valor, os índices caíram.
Números refletem inexperiência da classe C
Na opinião do presidente da Federação das Câmeras de Dirigentes Lojistas (FCDL), Roque Pellizzaro Júnior, os números refletem a inexperiência da classe C em utilizar o crédito. Samy Dama, professor de finanças na Fundação Getúlio Vargas (FGV), complementa que esta é a hora em que a nova classe média está sentindo o impacto no orçamento do aquecimento do consumo nos últimos anos.
Com a liberação do crédito pelos bancos, o brasileiro deu um passo maior do que a perna. Há dois anos, começou a comprar produtos antes improváveis, como carros e eletrodomésticos sofisticados. A preocupação maior era se a parcela cabia no bolso e não com os juros analisa.
Como principais motivadores dos resultados da pesquisa, Dama elege a abertura do crédito pelos bancos, que depois da crise financeira buscaram aumentar a rentabilidade, e o perfil consumista do brasileiro. Para ele, as ações do governo para conter a inflação, como a elevação da taxa básica de juros e a restrição ao crédito, ajudam, mas não são suficientes.
Dama acredita que os índices de inadimplência e endividamento não vão aumentar nos próximos meses. Mas para o professor, as medidas do governo poderiam ser mais agressivas. Entre elas, ele sugere um controle do crédito mais rígido, o corte de gastos e a liberação das importações.
Sérgio Medeiros, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) de SC, acredita que o aumento da inadimplência, justamente em maio, é um reflexo das compras parceladas do Natal e do fim de ano.
O endividamento e a inadimplência não são efeitos imediatos. O consumidor está tendo dificuldade agora para pagar as compras de meses atrás.
Medeiros observa que o comércio precisa fazer a sua parte.
O próprio varejo precisa estar mais atento e comedido. Os lojistas devem consultar o SPC e fazer cadastros dos seus clientes - ressalta.
Publicado por: Andreia Varela
Fonte: Rádio Verde Vale