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Mais que turismo, argentinos estão fazendo negócios em Santa Catarina
» 17/10/2011 - 19:18h

Mais que invadir as praias catarinenses, os argentinos querem ocupar cada vez mais espaço nas prateleiras dos supermercados do Estado. Desde que assumiu o consulado da Argentina no final de agosto, Emilio Julio Neffa trabalha para aumentar as relações comerciais com SC.

O primeiro passo foi marcar reuniões com o governo do Estado, com a Associação Catarinense de Supermercados (Acats) e com alguns dos principais supermercadistas e importadores de SC. O segundo será a promoção, no dia 30 de novembro, de uma degustação de vinhos e alimentos gourmet no Hotel Majestic, em Florianópolis.

As reuniões e a degustação já foram promovidas em outros anos. A novidade do evento no próximo mês é uma aposta maior do consulado em promover produtos argentinos que estão chegando pouco ou mesmo que não estão tendo entrada no mercado catarinense no momento.

— Voltaremos a apostar em mercados tradicionais, como o panetone argentino, especiarias e alguns produtos congelados, como empanadas e pães — adianta Neffa.

O cônsul está negociando também para agregar uma nova série de queijos, de empresas argentinas que estão fora do mercado em SC, e alguns artigos de bazar para competir com produtos chineses.

Para o próximo ano, o consulado está programando pelo menos quatro ações inéditas com foco em ampliar as relações comerciais com SC. Em junho, o país vai participar com um estande próprio na Exposuper, em Joinville.

Durante o ano, o consulado quer promover, juntamente com empresas do país, semanas argentinas nas principais redes de supermercado do Estado. Também planeja seminários sobre investimentos e oportunidades de negócios na Argentina em Florianópolis, Joinville e Blumenau, e uma missão multisetorial com autoridades e empresários do país em SC no segundo semestre.

— Vamos fazer chegar à Acats ofertas pontuais de produtos da Argentina. No preço eu não entro. Mas procuro encontrar na Argentina um fornecedor que tenha produto e que seja confiável e, deste lado, um comprador pra ele — explica o cônsul.

A Acats não tem dados sobre a presença argentina nas prateleiras dos catarinenses, mas os dois maiores supermercados do Estado, o Angeloni e o Giassi, afirmam que o país vizinho tem pouca representatividade entre os importados.

O Angeloni compra azeitonas, vinhos, conservas, azeite de oliva, geleias e compotas diretamente da Argentina. A partir de agora, dará mais ênfase para os vinhos e para laticínios. O Giassi importa nove rótulos de vinho e um rótulo de azeite de oliva da Argentina. Mas quer ampliar esta quantidade a partir de 2012 ao fazer compras conjuntas com duas redes de supermercado do Paraná e do São Paulo.

— Vamos trabalhar menos com importadores e comprar diretamente produtos do Mercosul, especialmente da Argentina e do Chile. Agregaremos novos produtos ao nosso mix e ao das redes parceiras — adianta Noedir Benfato, gerente de compras do Giassi.

O foco principal das compras ampliadas serão queijos, lácteos e vinhos. Para receber mais produtos importados, o Giassi está ampliando o centro de distribuição em Içara em 10 mil metros quadrados — dos atuais 14 para 24 mil metros quadrados. Na lista dos 10 produtos que SC mais importa do país vizinho, apenas farinha de trigo, alho, batatas congeladas e desodorantes corporais tem como foco o consumidor final. Os demais itens da lista são utilizados pela indústria.

De acordo com o cônsul da Argentina em SC, não é possível saber o volume de produtos do país que são vendidos em SC porque a maioria deles é importada por SP e depois segue para os supermercados catarinenses.

— Buscar um distribuidor em SP para todo o Brasil é um erro. Acredito que 80% dos produtos argentinos entrem por ali. Mas SC tem condições de fazer isso sozinha, não depender de SP — defende Neffa.

Dizendo estar vestindo “a camisa de SC”, o cônsul argentino diz que vai trabalhar para convencer empresários argentinos a investir em centros de distribuição no Estado, encurtando distâncias na importação e reduzindo custos.

 

Publicado por: Andreia Varela

Fonte: Rádio Verde Vale

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