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Neste ano a produção de mel na Região Serrana caiu 80%, ninguém sabe ao certo o que aconteceu para as abelhas morrerem. Alguns apicultores acreditam que seja devido às mudanças bruscas do clima, outros acham que a mistura genética das raças enfraqueceu as abelhas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Carlos Luiz Peron, afirma que uma doença pode ter atingido a espécie. A queda impactou na economia da região, que deixou de exportar mel para Europa.
Ele relembra que há décadas houve uma queda acentuada de produção de mel, mas nunca uma tão forte como a deste ano. “Ninguém sabe ao certo o que houve, mas pode ser vários fatores. Sabemos que a falta de preparo no trabalho é um fator que influi diretamente na produção. Alguns apicultores não limpam os favos, as abelhas acabam ficando pequenas e não se desenvolvem, ficam fracas e produzem pouco”, explica.
Outro fator considerado por Peron é em relação as fortes chuvas que ocorreram na época de floração. “Muitas flores não se desenvolveram e o pólen ficou muito escasso, as abelhas estão com dificuldade para se alimentar, abandonam as colmeias em busca de alimento e muitas morrem no caminho”, conta. Ele lembra que o vento também poliniza as flores, mas destaca que o trabalho da abelha é mais detalhado e bem feito.
A possibilidade de doença não é descartada pelos apicultores e por Peron. “A mortalidade foi muito alta, e influenciou diretamente na nossa economia. Vendíamos para a Europa e agora não damos conta de atender a demanda da Região Serrana. Acho que uma doença que não conhecemos pode ter atingido a espécie, talvez os pesticidas usados na agricultura podem ter afetado a saúde das abelhas”, diz.
Além do impacto financeiro, a queda na produção atinge a natureza e influenciará nas safras das frutas. “Sem o alimento e polinização, haverá queda na fruticultura em geral. O cenário é de preocupação e desânimo. Muitos apicultores estão desistindo da profissão e com o prejuízo fica difícil se reerguer e investir em outra área”, comenta.
A exportação de mel que era em pelo menos 10 toneladas, deixou de acontecer e a venda interna no Estado está prejudicada. “Se o clima não contribuir, será difícil comprar mel”, finaliza.
Apicultor perdeu 440 caixas de abelha
Há 60 anos Wilmar Wolniewicz é apicultor, a vontade de trabalhar na profissão ele herdou do pai polonês, que o ensinou como trabalhar com as abelhas. Mas depois de perder 440 caixas de abelhas, e ficar só com 60, o apicultor está desanimado.
“Meu filho quer que eu comece trabalhar em outra coisa. Mas eu não vou desistir, apesar de estar muito descrente”, comenta. Ele acredita que somente a mistura das raças africana, caucasiana, alemã, carnica e italiana, deixou as abelhas fracas e descontrolou a natureza.
Falta da associação impacta na produção
A Associação Lageana de Apicultura (ALA), acabou há cinco anos. Com isso, os apicultores perderam uma representatividade que os ajudava na troca de cera alveolada por comum.
As lâminas alveoladas apresentam uma espessura ideal para uma perfeita aceitação por parte das abelhas. Esta espessura e sua pureza conferem uma maleabilidade que facilita o seu manuseio pelo apicultor.
O presidente do sindicato dos trabalhadores rurais, Carlos Luiz Peron, conta que a ALA fornecia cursos para os apicultores. “É preciso surgir novas lideranças, mas com esta crise vai ser difícil aparecer alguém”, acredita.
Serra produz 926 toneladas por ano
Os maiores produtores de mel na Serra são os municípios de Bom Retiro, Bocaina do Sul, Palmeira e Lages. Em Santa Catarina existem cerca de 30 mil famílias que dependem da apicultura. A produção média anual é de 6 mil toneladas de mel por ano. No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Exportadores de Mel, existem cerca de 350 mil apicultores, sendo que a atividade envolve aproximadamente um milhão de pessoas. A produção nacional é de 50 mil toneladas/ano. O produto movimenta no país em torno de US$ 80 milhões por ano.
Publicado por: Andreia Varela
Fonte: Correio Lageano