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Este ano, a colheita, o transporte e a comercialização do pinhão poderão ser feitos a partir do dia 1° de abril. A reivindicação antiga dos produtores de pinhão passa a valer através da Lei nº 15.457 de 17 de janeiro de 2011 em todo o estado de Santa Catarina.
A informação foi divulgada esta semana pela 4ª Companhia de Polícia Militar Ambiental. As atividades que envolvem o pinhão estarão liberadas a partir de 1° de abril, o que até o ano passado acontecia após o dia 15 do mesmo mês. A reivindicação partiu dos produtores da Serra em razão de já ocorrer o amadurecimento das pinhas de várias espécies de araucárias antes da segunda quinzena.
“Estamos fiscalizando e ainda não existe a comercialização. Qualquer tipo de manejo tem que seguir critérios como não retirar as pinhas que não estão maduras ou trabalhar com aquelas que não germinam e prejudicam a perpetuação da espécie.
A reivindicação se deve ao fato de os produtores estarem perdendo as possibilidades de exploração por conta das pinhas que amadurecem antes e caem”, explica o comandante da Polícia Ambiental, Frederick Rambusch.
“Há pontos positivos e pontos negativos com a antecipação da colheita. O agricultor consciente e experiente vai saber retirar somente as pinhas maduras. Por outro lado, essa antecipação da data abre brechas para quem não respeita as condições naturais. Essas pessoas tiram todo o pinhão para a venda porque o preço no início é melhor”, afirma o engenheiro agrônomo da Epagri de Painel, João Antenor Pereira.
Segundo o agrônomo, nem toda linhagem amadurece no início de março, variando de espécie e de ano para ano. Também pode atrasar ou adiantar devido à quantidade de chuvas que aconteceram na região. “O agricultor perde em qualidade e volume com a retirada equivocada. Há prejuízos tanto ambientais quanto econômico”, completa.
Em Painel, o pinhão tem relevância nas pequenas propriedades que não terceirizam a atividade de colheita. O produto é altamente agroecológico. Mesmo com a colheita adequada, cerca de 40% do pinhão ainda fica nas araucárias pelo fato de o agricultor ter difícil acesso ou não ter tempo para debulhar. Assim, serve de alimento para a fauna silvestre.
O descumprimento da Lei resulta em multa de R$500 que são revertidos ao Fundo Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Fepema).
O pinhão na Serra
O município de Painel é o maior produtor de pinhão da Serra com um volume de 50 a 70 mil sacas por ano. A produção se concentra nas comunidades de Casa de Pedra, Farofa, Mortandade, Faxinal Preto e Monte Alegre.
Há estudos em andamento, como o Projeto Kayuvá, para revelar o perfil exato da região na produção do pinhão, que fica em torno de 200 a 250 mil sacas por ano.
A safra do pinhão se dá de abril até setembro e depois há uma queda. De acordo com a Epagri de Painel, estão sendo elaborados projetos para garantir um produto de qualidade, que seja bem armazenado e embalado para estar no mercado.
Publicado por: Andreia Varela
Fonte: Correio Lageano