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O “Grito da Terra Brasil”, uma ação encampada por cerca de cinco mil trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo o Brasil, teve algumas de suas reivindicações atendidas pelo Governo Federal.
O ato aconteceu em Brasília em meados de maio e foi considerado a maior manifestação da classe. Dentre as 14 conquistas a principal se refere à redução da taxa de juros anuais que passou de 4% para 2% nas operações de investimento do Pronaf.
O agricultor Amauri Macedo de Melo (44) cresceu numa família de agricultores e cansou de ouvir reclamações das dificuldades dos pais para se manterem vivendo da lavoura. Mas, ontem ele estava satisfeito, sobretudo porque soube das conquistas dos sindicatos brasileiros.
Ele possui uma propriedade de 20 hectares (200 mil metros quadrados de terra), em Painel, na localidade de Casa de Pedra. “A vida vai melhorar pois podemos agora aumentar nossa produção”, salienta o agricultor que produz milho, feijão e vime. “Crio também umas seis cabeças de gado”, conta.
Ele lembra que essa é uma das reivindicações antigas e se arrastava há pelo menos 20 anos. Lembrou ainda que com a perspectiva da nova situação financeira vai focar a sua plantação na de vime principalmente. “É uma nova tendência”, diz ele ao ressaltar que para o agricultor não tem hora, nem dia bom ou ruim e muito menos feriado.
“O trabalho é contínuo”, resume o trabalhador rural que fez parte do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) que é destinado para proprietários de até 80 hectares (800 mil metros quadrados). Ele e outras 60 mil famílias da região serão beneficiados com a redução dos juros.
“Queremos que os juros baixem ainda mais ”, diz presidente
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Lages (STTR), Carlos Luiz Peron, comenta que em reuniões em âmbitos local e estadual foram definidas as reivindicações da classe e feito um documento entregue aos ministros das áreas e segundo ele para a presidente Dilma Roussef. “Eram 48 reivindicações mas o essencial é que as mais importantes foram atendidas”, comemora.
Sobre a redução de juros anuais disse que vão refletir diretamente na vida do agricultor. “Ele terá dinheiro para os insumos, fertilizantes, sementes e para custear outros serviços”, assegura. “A produção, seja de milho, feijão, verduras e leite e sub-produtos de origem animal tende a aumentar”, observa.
Atualmente o que é produzido na Serra, a agricultura familiar é responsável por 30% do que é consumido nas escolas municipais e estaduais. Mas Peron disse que a meta é chegar a 100%. “100% do que é consumido nas escolas deveria ser proveniente da agricultura familiar, mas não temos produção para atender a demanda. Com a redução dos juros creio que isso será possível ao longo dos anos”, argumenta lembrando que o agricultor tem direito à redução dos juros já na safra de 2011/2012.
Outra conquista que animou o presidente foi o aporte de R$ 127 milhões para Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). “O incremento significa que o agricultor terá mais acesso as novas tecnologias e consequentemente os técnicos, agronômos e veterinários terão mais verba para ir a campo e nos orientar eficientemente”, frisa.
Ele conta que de Santa Catarina foram para Brasília cerca de 250 pessoas e da região seis de: Correia Pinto, Bom Retiro, Bom Jardim da Serra e Cerro Negro. “Estive em outras edições do Grito da Terra Brasil, mas não fui nessa para dar oportunidade a outros”.
Publicado por: Andreia Varela
Fonte: Correio Lageano