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Solos mal manejados podem conter bactérias, fungos, nematoides, insetos e até plantas espontâneas que, dependendo da quantidade, prejudicam os cultivos. “Para controlar esses agentes de doenças, costuma-se aplicar perigosos venenos que, uma vez no solo, fogem do controle do aplicador, podendo afetar o equilíbrio ambiental”, alerta o fitopatologista e engenheiro-agrônomo José Angelo Rebelo, da Epagri/Estação Experimental de Itajaí. Uma alternativa ecológica, simples e barata para se livrar dessas inconveniências é a solarização.
O método consiste no aquecimento do solo por meio da luz solar durante um determinado tempo. Ele é ideal para sistemas de produção agroecológica, tanto em cultivo em abrigo quanto em áreas abertas, mas também pode ser utilizado na agricultura convencional.
O primeiro passo é revolver o solo em uma camada de aproximadamente 25 a 30cm. Ele deve ser bem molhado em toda essa profundidade e, em seguida, a área é coberta com plástico agrícola transparente.
Com a ação do sol, um processo hidrotérmico se estabelece sob o plástico. “A água do solo evapora e se condensa embaixo do plástico, preservando o calor. Depois, a água condensada volta ao solo e o ciclo se repete, o que permite que a temperatura do solo se eleve, alcançando entre 45 e 55°C, e assim permaneça durante o dia”, detalha o agrônomo. O tempo de exposição varia de 30 a 60 dias e depende de fatores como a região e as condições climáticas.
A permanência do calor no solo durante um longo período elimina microorganismos e patógenos prejudiciais para as lavouras. “A solarização não esteriliza o meio e não prejudica os microorganismos de interesse à vida do solo e das plantas, que suportam até 70°C. Cada ser tem sua função biológica no ambiente e eliminá-lo por esterilização é um erro. O que se obtém com é a redução de indivíduos, tirando o poder de disseminação de cada população alvo”, informa o fitopatologista.
Após receber a técnica, a terra está pronta ser adubada. A solarização, que deve ser feita no verão, é indicada na preparação da área quando se pretende iniciar a produção em abrigo e sempre que surgirem doenças de solo que fujam do controle do agricultor.
Publicado por: Suellen Canani
Fonte: Adjori SC