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O forte calor, que na quarta-feira chegou a aproximadamente 42ºC e a 47ºC ontem, no termômetro da Praça Nereu Ramos, tem levado muitos às unidades de saúde de Criciúma. Só na quarta-feira, 366 pessoas procuraram o Pronto Socorro do Hospital São José em função do mal-estar causado pela temperatura elevada. A maioria se queixava de náuseas, tonturas ou vertigens, e 38 precisaram ficar internados para receber hidratação.
Ontem, das 7h30min às 9h30min, 35 pessoas haviam procurado o São José. Até o final da tarde de quinta-feira não havia como saber quantos casos ocorreram em função do calor, mas, segundo Agenor Silvestre, diretor técnico do hospital, boa parte deles pode ter relação com a temperatura. A partir das 9h, 50 pessoas esperavam por atendimento na unidade hospitalar. Silvestre lembra que pessoas que trabalham na rua, expostos diretamente ao sol, como pedreiros e os trabalhadores da obras de esgoto do município, em metalúrgicas ou perto de fontes de calor como fornos cerâmicos, não devem ficar muito tempo expostos ao calor, que pode causar danos à saúde.
Segundo Silvestre, o excesso de altas temperaturas pode causar hipotensão e, especialmente em pessoas idosas, a perda de sódio pelo suor, o que pode causar arritmia cardíaca. Além do sódio, as pessoas perdem magnésio com o calor, o que gera cãibras. O excesso de temperaturas elevadas também pode ocasionar danos cerebrais. Ele recomenda que as pessoas evitem o sol e prefiram ambientes arejados, usem roupas claras e bebam bastante água, e se sentirem contrações musculares, procurem uma unidade de saúde.
Corrida ao ar-condicionado
Em dias de “calor de matar”, nada melhor do que dormir ou trabalhar em um local fresco. Mas se você ainda não comprou aquele ventilador ou ar-condicionado que vai lhe dar um conforto térmico, saiba que poderá continuar suando por mais alguns dias. Em Criciúma, segundo relato de consumidores que migram de loja em loja atrás do “salvador ar fresco”, não há mais aparelhos de ar-condicionado disponíveis para a compra - se você procurar bem talvez encontre algum ventilador para substituir o produto.
Em alguns comércios, como a Lojas Adelino, o último aparelho de ar-condicionado foi vendido na tarde de ontem. “Se eu estivesse vendendo balas, teria a mesma facilidade que estou tendo para vender ar-condicionados”, afirma Marile Zilli Panato, proprietária da rede de lojas. Segundo ela, as vendas de ventiladores sempre são expressivas no verão, mas as de aparelhos de ar-condicionado foram as maiores entre os seis anos que a empresa tem filial em Criciúma. “Deixamos de vender por falta de produto. Se eu tivesse 100 aparelhos hoje, teria vendido todos. Houve caso de três pessoas estarem disputando o mesmo aparelho”.
Os condicionadores de ar mais vendidos tem sido os com potência de sete mil e nove mil BTUs, mas a loja já comercializou aparelhos maiores, de 12 mil e 30 mil BTUs. “Normalmente, as pessoas tinham um ar-condicionado em casa, em um dos quartos, mas hoje estão colocando em todos os quartos e na sala de televisão”, conta Marile.
Pesquisar para evitar “bater perna”
Marile conta que somente na manhã de ontem, das 50 ligações atendidas, 47 questionavam se a loja possuía ar-condicionado para vender. Por não ter produtos disponíveis na tarde de ontem, a loja perdeu vendas. Na lista de espera de uma fabricante de condicionadores de ar, a Adelino está entre as primeiras, garante a proprietária, que torce para que os seis modelos agendados cheguem o quanto antes. “Distribuímos as mercadorias nas 15 lojas da rede e remanejamos em caso de falta. Estamos tentando trazer de outras lojas”, diz.
O telefone também não parou de tocar no Magazine Luiza. Marisangela Souza, vendedora da loja, afirma que as pessoas ligam antes de ir ao local de compra. E como a empresa possuía aparelhos, até às 10h, vendeu os últimos 30 da loja em Criciúma. “Os ventiladores são esperados para esta semana ainda. No comércio, o preço dos aparelhos de ar-condicionado giram entre R$ 700 e R$ 2,4 mil. Se os produtos serão reajustados pela indústria, isso só o próximo carregamento de condicionadores dirá.
E em se tratando de ligações, está difícil de conseguir alguém para instalar aparelhos para refrescar o ambiente. Na tarde de ontem, de seis empresas contatadas, a reportagem conseguiu falar apenas com uma. Na Criciúma Refrigeração e Climatização, os dois instaladores de ar-condicionado receberam a companhia de mais quatro colegas de trabalho nos últimos dias, e mesmo assim a equipe não é suficiente para atender a todos os pedidos. “Não estamos mais pegando novas instalações. Não estamos dando conta e estamos atendendo apenas casos urgentes”, explica Silvano
Consumo aciona termelétricas
O forte calor que tem atingido vários estados brasileiros tem elevado o consumo de energia. Na tarde de quarta-feira, às 15h, houve um pico no consumo de energia que levou o Ministério das Minas e Energia a acionar o Organizador Nacional do Sistema para que convocasse todas as fontes de produção térmica de energia a fim de evitar interrupções e quedas no fornecimento. Assim, o Governo autorizou o aumento de produção nas termelétricas para dar maior segurança ao sistema e evitar apagões. A Usina Termelétrica Jorge Lacerda foi chamada a entrar no sistema com produção máxima. A capacidade instalada de Jorge Lacerda é de 857 MW.
Publicado por: Paulo Varella
Fonte: A Tribuna